A Lagoa da Conceição e nossa pousada
Como já era minha quarta visita a Florianópolis, e a idéia era, dessa vez fazer uma viagem mais romântica e mais slow; decidi ficar hospedada no canto da Lagoa da Conceição por ser um ponto mais próximo das praias. Foi legal, porém para quem vai a primeira vez para Floripa, talvez seja mais interessante ficar no centro. Na região da Lagoa tudo é mais longe, não há serviços tão próximos, as distâncias são maiores e trânsito pode ficar bem ruim. E ficar hospedado no centro da Lagoa é muito turístico, muito movimentado. O canto é mais charmoso, porém mais ermo. Eu nem mencionei nos outros post sobre Floripa, mas é impossível visitar a cidade sem um carro. As praias são todas muito afastadas e estar de carro faz toda a diferença.
Alugamos um carro na Vera Car, uma locadora local bem boa, perto do aeroporto. A reserva do carro foi feita sem complicações pela net, o preço era muito menor do que nas locadoras maiores para o mesmo período e eles já nos esperávamos no aeroporto com o carro, com plaquinha no desembarque e tudo. Recomendo o serviço.
Ficamos uma noite no hotel Porto da Ilha no centro (hotel corporativo, bom preço e excelente localização) e na volta da praia do Rosa, nos dirigimos para a nossa pousada, a Pousada das Palmeiras, no canto da Lagoa. A pousada tem prós e contras, mas eu não ficaria hospedada nela numa próxima vez. São chalés individuais localizados no meio da mata nativa (o que é um fator super positivo), porém não tem recepção o tempo todo (fecha às 16h) e o nosso quarto era mais escuro e bem menos charmoso do que as fotos do site (ficamos na suíte Lagoa). O café da manhã é bem delicioso, trazido numa cesta, deixada na porta do nosso quarto. O que mais nos incomodou, no entanto, foi a falta de segurança. Eu sei que sou paulistana, mas o portão ficava sempre aberto, dia e noite, e éramos os únicos hóspedes da pousada, sem recepção. Qualquer pessoa poderia entrar na pousada e nos surpreender a qualquer momento. Não sei como são os índices de criminalidade da região da lagoa, mas minimamente um portão eletrônico a pousada deveria ter. No final, achei que o custo foi maior do que o benefício. A dica foi dada pelo Hugo neste post no VnV. Acho que eles gostaram mais da pousada do que nós. Acontece.
Perto de lá, às margens da Lagoa, há pelo menos três restaurantes super recomedáveis: o Mar Massas, que fica no alto, com uma belíssima vista da Lagoa, o Villa Maggioni, também com uma linda vista para a Lagoa, um restaurante mais intimista, de comida mediterrânea e a famosa pizzaria Basílico, moderna e com pizzas e drinks muito bons. Pizza digna de São Paulo.
E como última informação, os melhores meses para se visitar Floripa e todo o litoral de Santa Catarina são março e dezembro (até antes do Natal), quando é bastante calor, mas não há multidões.
Nos próximos posts, falarei das praias, que é o que mais interessa em Floripa.
Dois jantares de sonho no Rosa
Quando viajo sozinha com o marido, deixando as crianças em casa, gosto de sair pra jantar em bons restaurantes, para comer bem e ser feliz. Já que no dia-a-dia é muito difícil fazermos isso, sempre procuro escolher com cuidado e reservar alguns restaurantes mais legais.
No Rosa existem várias opções de restaurantes, para todos os bolsos e gostos. Desde os sarados PFs, adorados pelos surfistas, até os restaurantes mais bacanas e lindos. Escolhemos dois deles, nos baseando nas dicas do @gusbelli, do excelente blog Viajar e Pensar: o Tigre Asiático e o Lua Marinha.
Todos os caminhos levam ao Tigre Asiático, essa era a nossa frase preferida no Rosa. Ele fica numa espécie de encruzilhada na parte mais plana do vilarejo e qualquer informação que você pedir a qualquer local começará com a seguinte frase: “você vai até o Tigre, e vira à direita (ou esquerda, etc)”.
Central ou não, o Tigre é um restaurante de comida oriental (tailandesa, japonesa e da Indonésia), digno de nota. O ambiente é lindo, charmoso, bem decorado com móveis preferencialmente oriundos da Indonésia (tem uma loja enorme desses móveis em Garopaba, perto dali, que recebe clientes de vários pontos do estado), mesas no chão e motes orientais. Mas o melhor mesmo, sem dúvida, é a comida. Eu escolhi o , um curry de camarões com coco e especiarias, o marido foi do clássico Phad Thay. Nenhum de nós se arrependeu.
O outro restaurante incrível que tivemos a sorte de experimentar foi o Lua Marinha. A chef Taís Muradás, foi escolhida pela própria Madonna para acompanhar sua trupe em 2008, cozinhando com seus chefs internacionais.
O lugar é bem escondido e fica à beira da Lagoa. Tem que ir de carro, por uma estradinha de terra, mas chegando lá, o visual compensa. E a comida, então…Escolhemos o seviche de robalo de entrada e como principal, camarão ao molho de coco com risoto cremoso de limão, que serviu bem duas pessoas. Memorável e inesquecível, banhado por aquele por-do-sol na lagoa.
Essas são as minhas melhores dicas gastronômicas do Rosa. Não deixe de conhecer, caso visite a região.
A praia do Rosa
Sabe aqueles lugares que você sempre quis ir, mas nunca conseguiu, por uma razão ou por outra? E eles vão crescendo no seu imaginário, até que você resolva parar tudo e ir. Eu ouço falar sobre a praia do Rosa desde a adolescência. Tinha chegado até bem perto, mas nunca tinha conseguido visitá-la.
Dessa vez, surgiu a oportunidade, e resolvemos emendar a praia do Rosa e um pouco do litoral sul de Santa Catarina à semana em Floripa. Nenhuma decisão poderia ter sido mais acertada.
A praia é muito alto astral, daqueles lugares escondidinhos no litoral brasileiro, de relativo difícil acesso, onde os surfistas, os malucos e os descolados se encontram para festejar a entrada do verão. A época era a ideal, dezembro, antes do Natal, calorão, mas ainda sem muvuca.
Ficamos na pousada Rêmora, no alto do morro. A pousada é deliciosa, confortável e com essa vista:
Valeu super a pena acordar para ver esse por do sol. A Praia é longe, o que é uma desvantagem, mas de carro, chega-se em 5 minutos. A pé, a caminhada é boa morro abaixo, mas a volta, morro acima, nem quis arriscar.
A noite, rola um super agito, mas vou falar sobre os restaurantes em outro post. É fundamental estar de carro também para se conhecer as outras praias da região que são (quase) tão lindas como o Rosa.
Fomos até a Lagoa de Ibiraquera, enorme, que tem um braço pro mar. Bonita, mas um pouco farofenta no domingo. É bem perto do Rosa, cerca de 20 minutos de carro, sem pegar a BR. Basta ir contornando a lagoa até chegar à barra.
Outros dois passeios legais que fizémos foi Garopaba e Ferrugem. Garopaba fora de temporada parece um daqueles vilarejos de pescadores parados no tempo, mas fica muito cheia de janeiro ao Carnaval, segundo fui informada. Em Garopaba fica a famosa fábrica da Mormaii, que é a principal marca de surfe brasileira. A fábrica é enorme, na estrada e a maior loja fica na cidade. E dá emprego para muitos dos habitantes locais.
E por fim, vale visitar a Ferrugem, uma das praias mais famosas para surfe no Brasil. É bonita, bem cuidada e alto astral. Aliás, as praias de Santa Catarina que visitamos, eram todas limpas e cuidadas pelas associações de moradores locais e surfistas. Grande lição para outros locais do nosso lindo litoral, que merecem ser melhor cuidados.
SANTA CATARINA PARA DOIS
OK, vamos tirar as teias de aranha do blog. Eu venho me perguntando porque estava tão sem ânimo de voltar a escrever. As respostas sempre me pareciam óbvias: 2011 foi um ano sem muitas viagens, com bebê pequeno e reforma. Além disso, eu estava sem tempo, trabalhando muito, muito focada em retomar minha carreira depois da licença-maternidade. Todas essas são respostas boas, mas havia algo mais que eu não sabia explicar. Um certo “bode” que me acometia assim que eu abria uma página em branco para escrever. E poucos dias atrás esse “bode” tomou forma: peguei uma implicância gratuita (ou nem tanto) pela expressão “blog de viagem”. Tirando o site VnV e alguns blogs de amigos queridos, com excelente conteúdo, a maioria dos ditos “blogs de viagem” é raso, não informativo, mal escrito e com interesses comerciais pouco claros, para dizer o mínimo. Eu sei que é o sonho de todo mundo ganhar dinheiro com o que mais gosta de fazer, ou seja, viajar, mas infelizmente ganhar dinheiro com isso e fazer um bom trabalho é para muito poucos. E nunca foi o meu objetivo. Tenho minha profissão, não pretendo trabalhar na área de turismo e Big Trip pra mim, é uma diversão. Não queria vê-lo no mesmo saco de gatos da maioria dos blogs fracos que constituem a blogosfera de turismo atual. É isso.
Depois da sessão de terapia, vamos ao que interessa: Floripa! A idéia dessa viagem foi viajar a dois, sem crianças e ao mesmo tempo estar perto, caso precisassem da gente. Não é de todo fácil sair de casa e deixar duas crianças pequenas. As mães vão me entender muito bem. Mas é necessário. Esses períodos de convívio somente com o marido, deixando as obrigações de pais um pouco de lado, dormindo e acordando tarde e descansando bastante é saudável para qualquer relacionamento e eu sou uma grande defensora disso. Por isso, veio a idéia de Santa Catarina: linda, bela e santa. Que nos recebeu com sol e dias belíssimos. E que fica a apenas 1h de vôo.
Para quem curte praia, Florianópolis tem que ser visitada no verão. E talvez os dois melhores meses sejam dezembro, antes do Natal, e março. Menos chuvas e menos muvuca. Aliás, a semana antes do Natal é maravilhosa para se viajar pelo Brasil: vazia, barata e quente.
Montei o roteiro sem grandes planejamentos. Não precisa, é fácil, afinal estamos no Brasil, num estado desenvolvido e pronto para o turismo. Tive muita ajuda do @gusbelli, do excelente Viajar e Pensar. Ele é “manezinho da ilha” com muito orgulho, ama praia, além de ser gente finíssima.
Chegamos numa sexta a noite e já havia uma placa no aeroporto com o nosso nome do pessoal da Vera Car (dica do Hugo, nesse post do VnV). Em Floripa e litoral continental de SC é fundamental ter um carro para conhecer as praias. Na verdade, não se faz nada sem carro. Alugamos um Classic com ar condicionado por um preço bem bacana, com GPS e já saímos do aeroporto motorizados.
Dormimos no excelente Porto da Ilha, um hotel corporativo, mas muito bem localizado no centro de Florianópolis, também dica do @gusbelli. Eu acho legal ficar hospedado no centro comercial de Floripa, pois o que se perde em “charme”, se ganha em praticidade.
Dia seguinte, depois de um ótimo café da manhã, partimos para a famosa e sonhada Praia do Rosa, no município de Imbituba, litoral sul de Santa Catarina. Eu sempre tive essa praia na minha “wish list” e mesmo após esta sendo a minha quarta visita a Floripa, não tinha conseguido passar por lá antes. Sabe como é, quem já namorou um surfista alguma vez na vida, já ouviu falar da Praia do Rosa.
No caminho, paramos para pegar uma praia e almoçar na Guarda do Embaú. A praia continua linda, e o mais impressionante, preservadíssima. Estive lá em 2002, e acho que a Guarda não cresceu 1 metro. Não ganhou nenhum Resort e nem se “desenvolveu” no mal sentido. Continua intacta e limpa, com seu riozinho e suas dunas branquíssimas. É um super point de surfistas também, mas “não surfistas” são bem vindos, desde que não sujem a praia. Um exemplo para a maioria das praias do litoral do Brasil. Vale a visita.
Almoçamos no restaurante Big Bamboo um bom peixe, bem barato e seguimos viagem rumo à Praia do Rosa.
Chegamos sem muita dificuldade e seguimos para a nossa pousada, a Pousada Rêmora (também indicada pelo @gusbelli). A pousada talvez tenha sido nossa maior surpresa da viagem. Linda, bem cuidada, com um quarto enorme e agradabilíssimo, um chef super simpático, o Cristiano, café da manhã delicioso e o melhor de tudo: o visual. Ela fica em cima do morro, o acesso não é tão fácil, mas essa vista compensa tudo.
Nos próximo post, falo mais sobre a Praia do Rosa e imediações. Stay tuned!
Blogagem Coletiva Parte II : Onde eu voltaria 1000 vezes
Semanas atrás, numa tweeting conversation entre a Cláudia, Natalie, Carina, Patricia, Carmem e Marcie, surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma considerava “viu-tá-visto”. Aí a conversa evoluiu e dedidiram fazer também uma segunda lista – com cidades ou países para onde voltariam sempre. Como a idéia parecia boa, uma comentou aqui, outra comentou ali… no fim, a notícia se espalhou e conquistou dezenas de adeptos. Diante disso, decidiu-se fazer uma blogagem coletiva.
Existem duas categorias de cidades para as quais eu voltaria: as cidades das quais eu sai sentindo que ainda havia muito para ver, como Viena e Barcelona e Amsterdam, e as cidades para as quais eu voltaria porque fui feliz. E vou falar apenas das últimas, porque caso contrário o post se tornaria imenso.
Começo com Londres: é o meu lugar no mundo. Amo tudo em Londres, até o metrô cheio e quente. Amo a melancolia do inverno e a alegria do verão, amo o modo de vida dos ingleses, a modernidade convivendo tão bem com a tradição, a mistura tão pacífica e tranquila de quase 8 milhões de pessoas vindas de todo o mundo e vivendo organizadamente ao lado de britânicos que nunca sairam do Reino Unido.
Amo o culto à Rainha e à Monarquia, apesar de não compactuar com ele. Prefiro o culto à Monarquia ao culto às subcelebridades americanas.
Acho que a palavra que define Londres é inesgotável. E se um dia, por ventura, essa loucura urbana te cansar, basta dar um pulinho em Bath ali pertinho pra relaxar e parar no tempo.
Além de Londres, tem as cidades que nunca se esgotam. E acho que, pra todo mundo, essas cidades são NY e Paris, que também moram no meu coração. Eu, as vezes no meio de um plantão, me pego com um Empire State of Mind, ou seja, uma inexplicável vontade de simplesmente estar em NY. Vontade essa totalmente fora de contexto, mas quase palpável.
Agora vem a lista mais particular: Pipa (que nem é uma cidade, é apenas uma praia do minicípio de Tibau do Sul), que frequento desde os 15 anos, quase todos os anos e está gravada em minha memória emocional.
Sempre que volto a Pipa, uma felicidade de reconhecimento toma conta de mim. Sei que os próximos dias serão felizes, mesmo que caia o mundo “lá fora”. Estava em Pipa no fadado 11 de setembro, vi tudo pela TV, mas nada daquilo me pareceu real lá em Pipa. Eu estava no paraíso, dei menos importância ao inferno. Shame on me.
Umas com tanto, outras com nada – Parte I
Semanas atrás, numa tweeting conversation entre a Cláudia, Natalie, Carina, Patricia, Carmem e Marcie, surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma considerava “viu-tá-visto”. Aí a conversa evoluiu e dedidiram fazer também uma segunda lista – com cidades ou países para onde voltariam sempre. Como a idéia parecia boa, uma comentou aqui, outra comentou ali… no fim, a notícia se espalhou e conquistou dezenas de adeptos. Diante disso, decidiu-se fazer uma blogagem coletiva.
Eu pensei bem sobre qual cidade não visitaria mais na vida, a princípio. Cidades que eu realmente não gostei foram apenas duas Nápoles, por motivos mais que óbvios (tive o carro alugado roubado no verão passado) e Budapeste, que achei feia, cinza e sem graça. Mas eu sempre tenho como máxima revisitar cidades que não curti na primeira vez para tentar mudar a má impressão: eu não gostei de Roma na primeira e na segunda vez, mas na terceira amei. O clima, a companhia, a necessidade (ou não) de conhecer pontos turísticos, a lotação, o estado de espírito, algum problema pontual da viagem e outros fatores externos sempre contribuem para o nosso julgamento de uma cidade. Se não se pode julgar nem restaurante por uma primeira visita, o que dirá uma cidade inteira, com todas as suas nuances.
Pra Nápoles não pretendo volta, mas para Budapeste sim, para conseguir formar uma opinião mais sólida.
Posto isso, as cidades para as quais eu não voltaria são aquelas que eu achei apenas OK. Bonitinhas, engraçadinhas, inhas… E existe apenas uma cidade na minha memória recente que se encaixa nessa categoria: Filadélfia.
Filadélfia é uma cidade bonita, limpa, fácil de se andar, segura e histórica (talvez um pouco histórica demais) que tem alguns pontos turísticos obrigatórios como o Independence Hall (onde foi assinada a Declaração de Independência dos EUA) e o Liberty Bell Center, onde fica o próprio sino da Independência, tocado em 4 de julho após a leitura da Declaração). Todo o complexo Independence National Historical Park é bem organizado e fácil de visitar.
Depois disso tudo, você pode comer o tradicional Philly cheesesteak (O Riq explica como e onde aqui) e no dia seguinte seguir para conhecer o Museu de Arte da Filadélfia, onde o Rock Balboa treinava (tem estátua dele e o lugar onde ele parava em cima das escadarias, para que você possa por os pés na mesma posição e tirar fotos imitando um pugilista, o que considero mico total).
Ao lado do Museu de Arte tem um lindo parque, um rio e boathouses lindinhas, e that’s it. Acabou a Filadélfia. Na verdade ainda há uma atração bacana não mencionada, o Museu Rodin, que super vale a visita.
Algumas fotinhas de Phylly:
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Além desses. temos a ilustre presença de @sylviatravel e @carlinhaz que não tem blog prórpio, mas vão se hospedar respectivamente na Majô e na Pat Camargo.
Viajando com crianças: meu ponto de vista
Faz tempo que estou pensando em escrever esse post. Ele vai ser polêmico e vai, de certa forma, na contra-mão de tudo que tenho lido na internet sobre viajar com filhos, principalmente com bebês.
Fiz minha primeira viagem com a Sofia quando ela tinha apenas 1 ano. Fomos a um resort na Bahia, o ótimo Arraial d`Ajuda Eco Resort . Foi legal, mas era um resort, ou seja, tinha uma ótima estrutura para crianças. Mesmo assim, dormi cedo todos os dias, ás vezes não consegui jantar e tive que sair da piscina inúmeras vezes para fazer a pequena tirar seu cochilo. Não, não me irritei, a viagem foi para ela e com ela, mas não sei ser mãe de forma diferente. Não consigo ver meus filhos desconfortáveis, sem horários para comer ou passando muito calor ou frio. Criança pequena tem que ser cuidada como criança pequena: os horário devem ser respeitados, a alimentação, adequada, devem haver sonecas quando quiserem e não devem passar por muitos desconfortos. Porque, em verdade, criança se diverte mais no parquinho do lado de casa do que num cruzeiro pelo Nilo ou numa trilha inca.
Resolvi, em julho de 2010, fazer uma viagem para mim, não focada na pequena e levá-la junto. Foi uma péssima ideia. Fui numa viagem familiar com meus pais e irmãos para a Roma e Costa Amalfitana, grávida de 6 meses, sem o marido, no verão italiano (40º C diários). Tudo bem que o destino não era dos mais “fáceis”, mas minha família já havia programado esta viagem antes mesmo da confirmação da minha gravidez. Decidi encarar, depois de ler vários relatos de mães que levam filhos pequenos a todos os cantos do mundo. E olha, não foi legal. Calor, caminhadas difíceis pelas encostas de Positano e Amalfi, a pequena muito incomodada, sem controle esfincteriano adequado (tinha 2,5 anos na época), os vôos longos, e outros perrengues sem fim. Na verdade, acho quem nem a beleza do cenário fui suficiente para trazer um saldo positivo a essa viagem.
Mas foi uma viagem importante para reflexão. O meu maior prazer nessa vida é viajar. Há em mim uma inquietude que me consome se eu fico muito tempo no mesmo lugar. Fui assim desde pequena. E viajei muito com meus pais, porém quando eu já tinha idade suficiente para viajar. É muito grande o desejo de mostrar o mundo às minhas duas filhas (agora são duas), mas no seu devido tempo. E terei tempo pra isso. Acho que essa gana de viajar a todo custo não me acomete mais. Já viajo a tempo suficiente para saber que sempre haverá novas viagens e o mundo não acabará em 2012. E se por venturas acabar, já viajei bastante.
Dessa forma, enquanto as meninas são pequenas, me decidi a fazer dois tipos de viagens: viagens para elas, desenhadas para elas e viagens para nós ou apenas para mim.
As viagens “das crianças” terão vôos mais curtos, paradas estratégicas, sem conexões, mais dias em hotéis em que elas possam comer e dormir quando quiserem e possam brincar sem se exaurirem. Enfim, que possam se divertir com os pais, sem passar por desconfortos.
Por exemplo, fomos para Club Med Itaparica em janeiro com as duas e foi excelente, apesar de eu, particularmente, não curtir resorts. Prometo posts específicos sobre essa viagem, com detalhes. E estamos programando uma viagem para a Disney, ainda esse ano.
Tem também a viagem para mim, que gosto de fazer solo, mesmo sem o marido, para ter o meu olhar sobre o destino. E aqui incluo destinos pelos os quais o marido não se interessa e viagens nas quais ele não pode ir por causa do trabalho. E a viagem para nós, romântica. Deixamos as duas pequenas aqui sem traumas ou crises de consciência. São viagens para adultos, para hotéis mais descolados sem atrações para crianças, com jantares e almoços em restaurantes, nos quais normalmente não levamos crianças e são viagens curtas, porque, no final, a saudade sempre aperta, claro. Mas eu acredito que um casamento saudável seja baseado em cumplicidade e companheirismo. Quer melhor forma de exercitar essas duas coisas do que numa viagem?
E ambas as pequenas ficam com a avó, numa boa, felizes e com saudades, tendo toda a rotina respeitada e os desejos atendidos (avós são sempre avós). Quer coisa melhor para uma avó do que ficar uma semana com as netas, mimando-as? E vice-versa.
Vai haver um momento em que poderemos viajar todos juntos sempre, quando forem maiores e puderem encarar todos os destinos, inclusive os mais difíceis. Mas apenas se quiserem. Eu não posso obrigar ninguém a gostar tanto de viajar como eu. Nem mesmo minhas filhas. Posso ensinar, posso até mesmo influenciar. Mas obrigar…
Queria deixar claro que esse é o meu jeito de achar um equilíbrio entre viagens com as minhas filhas e as minhas viagens. Não é a fórmula do sucesso para ninguém e certamente haverá muitos pais que discordarão dessa forma de viajar. Mas discordar é viver. Que tal terminarmos essa discussão na caixa de comentários?
Lisboa com a pequena!
Essa viagem de julho era pra ser essencialmente para a Itália, mas eu decididamente não queria voar pra Milão via TAM pois a proposta era viajar de Roma para o Sul. E os preços da Alitalia estavam astronômicos para a data. Queria um vôo direito, uma vez que viajaria com uma pequena de 2 anos e com minha mãe, super inexperiente em viagens. Sem nenhuma maldade, mas viajar grávida, com uma criança pequena e uma senhora idosa sem marido (maridex não pode ir) é muito difícil e sai da minha “confort zone”.
Enfim, vôo direto não havia, então só me sobrou desdobrar a passagem da TAP em duas partes: ficar dois dias em Lisboa e depois pegar a conexão pra Roma. Conexão com criança ia ser mais do que padecer no paraíso. E a volta também é de certa forma “desconectada” uma vez que a conexão é de 12h, então dá pra ir dormir num hotel próximo ao aeroporto e vir pro Brasil de manhã. O vôo até Lisboa é o mais curto pra Europa, são 9:30h em média, o que é bem mais tranquilo do que 12h ou 13h horas.
Descemos em Lisboa e após tantos anos sem voltar a cidade, fiquei nostálgica. Tenho dupla nacionalidade, sou brasileira e portuguesa, então meu coração bate forte pela terrinha. Já viajei por Portugal de carro há muito tempo e tenho família em Braga, então a simpatia dos portugas me toca o coração sempre.
Lisboa continua linda e o melhor: baratérrima, com a baixa do euro frente ao real. Não dá pra dar muitas dicas imperdíveis pois dessa vez fiz um super slow travel: estava um mega calor, estou grávida e estava com uma menina pequena, mas slow-trips são bem interessantes.
Ficamos no hotel Altis, um hotelzão não muito charmoso na Avenidade Liberdade, mas bem confortável e com uma piscina, que foi ideal no verão com uma criança. Lisboa estava estupidamente quente no começo de julho. Chegamos com quase 40ºC. O preço do hotel era bem bom, mas lembrem-se: ele é o mais antigo e convencional da rede Altis.
Um passeio bem legal com o tempo reduzido é o ônibus Hop-ON Hop-OFF. Tem vários tipos, 24h ou 48h, com dois circuitos: Lisboa Antiga (o mais legal) e Lisboa Moderna, que vai ao Parque das Nações. Como em todos os ônibus desse tipo você pode subir e descer onde quiser ao longo do trajeto, nas paradas que sempre são pontos turísticos. De novo, pra quem viaja com crianças, é um mão na roda. Até porque dá pra levar o carrinho dentro do ônibus numa boa. Só não se esqueçam do chapéu, óculos, protetos solar e água, porque quem vai na parte de cima do ônibus; que é aberta; tende a fritar ao sol.
Passamos por muitos lugares legais, dos quais eu destaco a Praça do Rocio, a Praça do Comércio, as ruas de comércio para pedestres, como a famosa Rua Augusta, a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerônimos, onde está enterrado o incrível poeta Fernando Pessoa. E mais, ainda deu para parar nas docas e almoçar. Pra quem vai no verão, esse é um super passeio, pois o local está repleto de restaurantes gostosos especializados em pescados e frutos do mar, nem sempre caros. Camarões grandes se chamam gambas.

Rocio

Rua Augusta

Praça do Comércio

Mosteiro dos Jerônimos

Túmulo de Fernando Pessoa

Docas
Na volta de Roma, nosso vôo chegou as 9:00h da noite em Lisboa, e como era conexão, as bagagens já haviam sido embarcadas no aeroporto de Roma direto pro Brasil. Quem pegar esse vôo, fique esperto para ter uma trouxinha de roupas e produtos de necessárie com menos de 50ml na bagagem de mão, se for dormir num hotel, o que eu recomendo. Ficamos apenas com o cartão de embarque e a bagagem de mão e fomos dormir no Tivole Oriente no Parque das Nações a cinco minutos do aeroporto de táxi. O hotel é gostoso, porém meio corportativo, ideal para quem quer proximidade com o aeroporto mesmo. Café da manhã MARAVILHOSO pago a 10 euros por pessoa. E, como nosso vôo pro Brasil saia as 9h, chegamos no aeroporto super lampeiras ás 7:30h, apenas com as mochilas e o cartão de embaque em mãos e viajamos descansadas. Super valeu a pena.
Borought Market



Linha de trem e o interior do mercado
E para completar, café na bombada Monmouth, o melhor café de Londres. Delicioso, forte, alguns até com grãos brasileiros. Ao lado da cafeteria, fica uma magnífica loja de queijos de deixar loja de queijos, chamada Neal’s Yard Dairy que vale a visita e deixa com água na boca apaixonados por queijo, como eu, mesmo depois de um baita almoço.

Fila para o café

Loja de queijos
PS: O chuveiro ligado o tempo todo no interior da loja é para manter a umidade.
Se estiverem com libras sobrando, então a dica é o refinado Roast, com vista para o mercado, lindo e respeitadíssimo pelos entendidos de comida (vulgos foodies, não gosto dessa palavra, mas enfim..).
De qualquer modo, o Borought Market aos sábados é um programaço para todas as idades e bolsos. Não percam!
Picadilly Circus e o Soho
Mas essa é uma outra história, e mostra como somos pessoas completamente diferentes em momentos diversos de nossas vidas, e o que cada lembrança e cada descoberta significa pra nós num determinado contexto. Voltei à Picadilly Circus numa tarde fria de outono, procurando um casaco mais impermeável do que eu havia levado, para uma Londres úmida e confesso que dessa vez a famosa praça, que é ponto de encontro de turistas e também bastante freqüentada por moradores, não me encantou. Mas me passou uma confortante sensação de reconhecimento, de lembrança daquela felicidade juvenil.

Picadilly Circus
Enfim, vamos nos ater aos fatos, antes que esse blog vire um amontoado de pensamentos desconexos. Andei bastante por lá, achei o meu procurado casaco e achei uma incrível loja Gourmet chamada Fortnum & Mason, tradicionalíssima e elegante, que estava abarrotada de itens de Natal, todos deliciosos. Só ela já vale a visita, dá pra ficar com água na boca. E justamente esse contraste delicioso entre a tradição e a modernidade que fazem de Londres uma das cidades mais deliciosas do mundo.


Fortnum & Mason
Sai de lá e fui andando meio sem rumo quando me dei conta de que estava com fome, que já havia passado, e muito, a hora do almoço e dei de cara com um EAT, uma cadeia parecida com o Pret a Manger, porém ainda melhor, que vende deliciosos sandubas, sucos, cakes, sopas, etc, ideais para um lanchinho rápido. Comprei um sanduíche Thai de frango (divino, quem puder experimentar não perca), suco e lemon cake e continuei andando até chegar ao Soho. Lá, me deparei com uma pequena jóia escondida, uma pracinha charmossérrima ideal para almoço ao ar livre, chamada Golden Square. Me pareceu uma miniatura da Place des Vosges, e lá almocei tranqüilamente num banco, vendo a vida londrina passar.

Eat e a Golden Square
Depois flanei pelo Soho até as imediações da Old Compton St, que é a rua mais gay e portanto, mais cool de Londres. Várias lojas legais, de livros, discos, pequenas galerias, misturadas com o comércio do sexo (sex shops, casas de massagens e afins), mas sem agressividade nenhuma (ao contrário do Red Light de Amsterdan), super afinadas com o entorno.


Soho
Andei até a Soho Square e na volta, me deparei com as fronteiras de Chinatown, que é uma das Chinatowns mais organizadas, limpas e arrumadas do mundo, que também vale uma caminhada e quem sabe uma parada em um dos milhares de restaurantes suspeitos e possivelmente deliciosos, que eu, infelizmente não tive oportunidade de provar, devido almoço tardio.


Chinatown
Fica então, mais uma sugestão de passeio diferente por Londres, a cidade que pode ser tudo que você quiser














































